Raimundo Ponte Nova
Raimundo Ponte Nova, como era chamado pelos amigos, foi uma pessoa simples, fez até a 4.ª série Primária, mas lia muito.
Suas poesias abarcam temas variados do cotidiano, fala muito de amores e da vida, com cor social e política.
Morador da cidade de Viçosa e funcionário da UFV, Universidade Federal de Viçosa, Raimundo Nonato da Silva era de Ponte Nova, antes de se mudar para Viçosa.
Era neto de índio e casado com Francisca Alves da Silva, a dona Chiquinha, contadora de histórias. Morreu em dezembro de 2004, aos 64 anos, deixando quatro filhos, Deixou também seu xodó Juliana, a bicicleta que tinha nome e o levava para todas as partes.
Marido que levava flores para a esposa, por qualquer motivo ou nenhum, conta saudosa dona Chiquinha.
Confira uma de suas belíssimas poesias:
REVOLTA
Raimundo Ponte Nova
Sabe, Aguinaldo,
Hoje acordei alegre
Na porta do quarto chutei o gato
E enchi o pé na traseira do cachorro.
Saí pra rua e enchi a cara
e no boteco do Moreira bebi todas
a que tinha direito.
Xinguei o padre quando passei por ele,
E mandei um mendigo pro inferno
Quando me pediu uma esmola.
Mostrei meu contra-cheque aos comerciantes
Encerrei uma discussão com a pelegada que
Estava trabalhando no campus.
Dei uma banana e risquei palavrões
Ao pessoal que assistia à assembléia
Debruçado nas janelas dos prédios em frente.
Gritei como um louco, agitei
Pulei de alegria no boteco do Téco
e paguei tudo pra todos que estavam lá.
Sabe o porquê da minha alegria?
Aconteceu o que eu previa,
Por isso estou pelegando.
A greve que se dane e se afunde
Eu quero é me arrumar
Afinal fui nomeado chefe de seção.
Mais detales no site da UFV.